Passou no teste da orelhinha? A audição pode mudar

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O teste da orelhinha é um dos primeiros exames da vida do bebê e a grande maioria das crianças passa nele. Muitos pais ficam tranquilos depois desse resultado, e com razão. Mas é importante saber: passar no teste da orelhinha não significa que a audição está garantida para sempre.

O que o teste da orelhinha avalia

A triagem auditiva neonatal é obrigatória no Brasil desde a Lei 12.303/2010 e deve ser feita de preferência no primeiro mês de vida. O exame mais usado registra as emissões otoacústicas, pequenos sons produzidos pela orelha interna em resposta a um estímulo. Em bebês com indicadores de risco, como internação em UTI neonatal, também é indicado o PEATE, que avalia a via auditiva até o tronco encefálico. Por ser uma triagem, o teste mostra como estava a audição naquele momento, não como ela será nos anos seguintes.

Por que a audição pode mudar depois

  • Otite com secreção no ouvido: é a causa mais comum de perda auditiva na infância. Segundo a diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia, cerca de 90% das crianças têm pelo menos um episódio de líquido atrás do tímpano antes da idade escolar, muitas vezes sem dor e sem febre (Rosenfeld e colaboradores, 2016). Na maioria dos casos ele se resolve sozinho, mas quando persiste pode reduzir a audição justamente na fase de aprender a falar.
  • Perdas progressivas ou de início tardio: algumas perdas genéticas ou associadas a infecções congênitas, como o citomegalovírus, aparecem ou pioram meses ou anos após o nascimento. Por isso o comitê internacional de referência em audição infantil recomenda acompanhamento auditivo periódico para crianças com indicadores de risco, mesmo que tenham passado na triagem (JCIH, 2019).
  • Infecções ao longo da infância, como meningite e caxumba.
  • Exposição a ruído, cada vez mais comum com fones de ouvido em volume alto.

Sinais para observar em cada fase

  • Até 1 ano: não se assusta com barulhos fortes, não procura a voz dos pais, balbucia pouco ou para de balbuciar.
  • Entre 1 e 2 anos: não atende quando chamado pelo nome, não fala as primeiras palavras, não entende ordens simples sem gestos.
  • Crianças maiores: pedem para repetir com frequência, aumentam o volume da TV, falam alto, parecem “desligadas” ou têm dificuldade de atenção e aprendizagem na escola.
  • Em qualquer idade: atraso na fala, trocas de sons, otites de repetição ou ronco frequente.

Entenda melhor o impacto da audição na fala e na linguagem.

Quando fazer uma avaliação auditiva

A avaliação é indicada sempre que houver suspeita dos pais ou da escola, atraso na fala, otites de repetição, histórico familiar de perda auditiva na infância ou indicadores de risco ao nascer. Muitas famílias também fazem uma avaliação antes da alfabetização. Dependendo da idade, ela inclui audiometria infantil, feita com brincadeiras e estímulos visuais, e imitanciometria, que mostra se há líquido ou alteração na orelha média. Veja 3 motivos pelos quais uma criança deve fazer a audiometria.

Perguntas frequentes

Se meu filho passou no teste da orelhinha, ele pode ter perda auditiva depois?

Pode. O teste da orelhinha avalia a audição no nascimento. Otites com secreção, perdas genéticas progressivas, infecções como o citomegalovírus congênito, meningite e exposição a ruído podem causar perda auditiva ao longo da infância.

Com que idade a criança pode fazer audiometria?

A avaliação auditiva pode ser feita em qualquer idade, com técnicas adaptadas. Em bebês e crianças pequenas, usam-se respostas a sons com reforço visual e brincadeiras. A partir de 4 a 5 anos, muitas crianças já conseguem fazer a audiometria convencional.

Otite pode atrapalhar a fala da criança?

A otite com secreção atrás do tímpano pode reduzir temporariamente a audição. Quando é persistente ou se repete muitas vezes nos primeiros anos, pode atrasar o desenvolvimento da fala e da linguagem, por isso a avaliação auditiva é recomendada nesses casos.

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Referências

  • Joint Committee on Infant Hearing. Year 2019 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. Journal of Early Hearing Detection and Intervention. 2019;4(2):1-44. digitalcommons.usu.edu/jehdi/vol4/iss2/1
  • Rosenfeld RM, Shin JJ, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngology Head and Neck Surgery. 2016;154(1 Suppl):S1-S41. doi:10.1177/0194599815623467
  • Brasil. Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010. Dispõe sobre a obrigatoriedade de realização do exame denominado Emissões Otoacústicas Evocadas.

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